O Tempo E Sua Expansão
Já é cansativo ouvir tantos diletantes, artistas e filósofos falarem sobre o tempo. Uns dizem que é uma grande forma de evolução quando o aproveitamos. Outros, citam que é possível deixarmos ele um pouco de lado por vezes, com isso observando o ócio criativo. Tempo vem do termo em latim tempus, que significa momento certo, condição, ocasião, necessidade. Abarquemos o termo, levando em conta o conceito como um momento certo. E, hoje, o momento certo é a coreografia.
No Yôga Antigo existem várias formas de chegarmos à uma percepção maior do tempo e de sua limitação. Ao compreender que o tempo é algo definitivamente mutável, variável e indiscutivelmente sem possibilidades de medição por aparelhos, entramos na questão do tempo psicológico. Com o tempo de pratica, desenvolve-se cada vez mais um estado de consciência baseado na intuição linear. E a intuição, por sua vez, é mais sutil do que a mente. Com a intuição, percebemos que existe “mais tempo”. Existe uma dilatação da consciência, que permite que contemplemos a realidade sem pressa, sabendo que a ansiedade do psiquismo ficou para trás com a parada das ondas mentais.
Na coreografia, conseguimos um estado de consciência similar ao que o criador do Yôga, Shiva, conquistou. Durante algumas apresentações que o autor que vos escreve fez, o tempo se fez absoluto. Certos segundos se fizeram como minutos, talvez horas! Cerca de 3 minutos em cima do palco, com mais de 800 pessoas o observando, faz com que haja uma necessidade de concentração. E, com essa contínua, advém o estado meditativo durante a apresentação. A partir do instante em que vivenciamos a coreografia como um sádhana, uma pratica de SwáSthya, assimilamos o nyása (identificação) com o aspecto importante de Shiva: Natarája (o rei dos bailarinos). E desse ponto para outros estados de consciência é um passo. Os momentos certos se alargam para comportar o estado de consciência conquistado.
Logo, é uma apresentação infinita. Uma sequência encadeada de técnicas lindíssimas, que evolui o ser de um humano pensante sem tempo, para um yôgin intuitivo no infinito.










Inspirador!!